Reforma tributária põe em risco crédito de 66,2% das notas fiscais

20/07/2026

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Em fase de testes em 2026 e com início efetivo previsto para 2027, a reforma tributária traz novos desafios para a forma como as empresas controlam impostos e aproveitam créditos tributários. Um levantamento da V360, empresa de tecnologia especializada em automação de processos fiscais e de pagamento a fornecedores, indica que 66,2% das notas fiscais eletrônicas (NF-e) processadas em sua plataforma apresentam problemas capazes de dificultar o aproveitamento desses créditos no novo sistema.

Os créditos tributários correspondem ao abatimento de tributos pagos sobre insumos ao longo da cadeia produtiva e servem para evitar a cobrança em cascata. Com a reforma, o regime de créditos foi generalizado, com a extinção de regimes especiais e cumulativos.

Chamado Termômetro do Crédito IBS/CBS, o estudo analisou de forma anônima mais de 6,4 milhões de notas fiscais. Desse total, 64,4% chegaram com os campos de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) sem preenchimento, e outros 1,8% traziam divergências entre os cálculos dos fornecedores e os valores de referência.

Na prática, mesmo com a nota emitida, erros ou informações incompletas poderão impedir que a empresa compradora aproveite integralmente os créditos previstos pela reforma.

Novo modelo valoriza a conferência das notas

O IBS e a CBS substituirão gradualmente tributos atuais sobre o consumo. As empresas poderão descontar parte dos tributos recolhidos na compra de mercadorias e serviços, mas, para isso, as informações das notas precisarão estar corretas e validadas em toda a operação.

Ganham importância também os chamados eventos fiscais, como confirmação da operação, recusas e outras manifestações registradas no documento eletrônico, que servirão para comprovar o direito ao crédito perante o Fisco.

Para o co-CEO da V360, Izaias Miguel, o principal desafio não estará na emissão, mas na conferência dos documentos recebidos. "O mercado fala muito sobre como emitir a nota no novo modelo, mas o ponto crítico para quem opera em grande escala será receber, validar e garantir o crédito. Se a empresa não conseguir organizar o ingresso fiscal, ela pode ter nota emitida corretamente pelo fornecedor, mas ainda assim enfrentar divergências, atrasos e risco de perda de crédito", diz.

Cadeia de fornecedores concentra parte do risco

O levantamento aponta que apenas 35,8% dos 139 mil fornecedores analisados preencheram corretamente os novos campos de IBS e CBS; os demais 64,2% ainda não estão adequados. Isso significa que o direito ao crédito dependerá também da qualidade das informações prestadas pelos fornecedores, o que torna a gestão da cadeia de suprimentos um fator relevante para evitar perdas.

Outro sinal do estágio inicial de adaptação é que, entre mais de 10,8 milhões de eventos registrados nas Secretarias Estaduais da Fazenda (Sefaz), apenas 0,04% estavam relacionados às novas funcionalidades previstas na reforma.

Automação e prevenção ganham peso

Segundo Izaias Miguel, o novo modelo exigirá processos mais integrados entre as áreas fiscal, financeira, de compras, tecnologia e jurídica, além de maior uso de automação. "A reforma tributária aumenta o custo do erro operacional. Uma divergência que antes gerava retrabalho interno pode passar a afetar crédito, caixa e conformidade fiscal. O destinatário passa a ter uma função muito mais ativa na cadeia tributária", adverte.

"Grandes empresas precisarão sair de uma lógica reativa para uma lógica preventiva. Não basta receber a nota e corrigir depois. Será necessário validar antes, identificar riscos em tempo real e garantir que o crédito esteja protegido desde o início do processo", aconselha.

Impacto varia conforme o porte da empresa

A reforma afetará empresas de todos os tamanhos, mas de formas diferentes. Nas grandes companhias, o desafio será a complexidade operacional, com muitas unidades, grande volume de notas e sistemas de gestão antigos ou muito customizados.

Já as micro e pequenas empresas, apesar de operações mais simples, contam com menos profissionais especializados e menor capacidade de investir em tecnologia, o que aumenta o risco de deixar a adequação para os últimos meses antes da entrada em vigor das novas regras.


Fonte: Com informações de Agência Brasil